DEMONOLOGIA: DA RAIZ À INSANIDADE – Parte II

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“Non Draco Sit Mihi Dux”

Herdadas as características ‘demoníacas’ dos espíritos malignos pagãos e incorporadas aos próprios Deuses dos panteões destes povos rivais, os hebreus fizeram uma real ‘campanha de difamação’ em torno destas entidades. Mas isso era apenas o princípio de algo maior…


Influenciados pelo pensamento grego e os conceitos de Daemons, e posteriormente totalmente impregnados pelo pensamento maniqueísta incutido no Cristianismo em 247 D.C. com o profeta Manes (zoroastra convertido e primeiro herege maniqueísta), separa-se “o Bem e o Mal”. Os Demônios surgem como asseclas do ‘Deus das Trevas’ denominado Satã, o ‘Adversário’. Outrora apenas um cargo de um Anjo ‘promotor’ dos homens, agora YHWH e Satã separavam-se definitivamente, um como Senhor do Espírito e outro como ministro da Carne e motor do Pecado.

E foi nessa carga maniqueísta e dualista que os doutores da Patrística mantiveram a linha de pensamento cristão e deram continuidade a demonologia. Orígenes admite a presença de Demônios que transgridem a Lei Divina em seu ‘Contra-Celso’. Santo Atanásio em seu tratado contra os Pagãos admite a presença de demônios como estrategistas para corromper o homem. Justino de Roma também fala deles como seres ímpios em sua Apologia. Santo Agostinho de Hipona, um dos ápices da produção literária do período Niceno, afirmou que cada homem tem um Anjo e um Demônio (seguindo o pensamento Grego) e que “Satã é o mediador da Morte”.
Santo Antão, que teve sua vida escrita por Santo Atanásio, foi o Pai e Patrono da Vida Monástica. Fazendo sua casa em um cemitério, ele orou e jejuou por dias em meio ao descampado e ao deserto. Narrou em sua vida diversos encontros com Demônios, os quais baniu para o Deserto através de sua fé e oração. Sendo ele o Pai da vida Cenobítica, isso também influenciou pesadamente na visão posterior da demonologia. Seus tratados influenciaram monges ao redor de todo o mundo e ainda influenciam até hoje, portanto no tocante a se lidar com Demônios, ele é um dos expoentes no assunto.

Santo Tomás de Aquino disse que eles “São fogo porque têm o espírito ardente e queimam nossos vícios” e classificou-os em 7 principais de acordo com os 7 pecados capitais: Asmodeus (Luxúria); Leviatã (inveja); Baal-zebub (gula); Mammon (Cobiça); Belphegor (preguiça); Azazel (Ira) e Lúcifer (Orgulho).

Outra figura influente na Demonologia foi São Bento, o primeiro a organizar aqueles de vida Cenobítica em uma estrutura de Ordem. A Ordem dos beneditinos. Com seus trajes negros e portadores de toda rigidez medievalista da Igreja, eram temidos em seus estudos ‘ocultos’. São Bento se tornou Patrono dos Exorcistas e sua medalha (figura abaixo) é usada até os dias atuais em ritos de exorcismo e como amuleto contra Demônios. Indubitavelmente, estes monges foram grandiosos responsáveis pelo material que se deu no passo seguinte da Demonologia, que seria sua fase mais importante, a qual falaremos no próximo post.

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A.Z.

2018.

[illustração by AlexandraVBach on deviantART]

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