Maha Kali

main265c

Jay Maha Kali Jay Mata Durga Kali Durga Namo Namah Kali Durga Namo Namah…

Maha Kali (Mãe Negra) é uma das divindades mais conhecidas do panteão indiano, sendo uma das mais famosas, importantes e também respeitadas e poderosas. Ela é uma Deusa da Totalidade, Absoluta em si mesmo, portadora do Tempo que protege e ao mesmo tempo consome seus próprios filhos.

Saudada seja a Rasgadora de Pensamentos,  a terrível Bhradakali que veste a guirlanda de Crânios…

O Mito de Maha Kali

A história do aparecimento de Kali é narrada no texto sagrado Devi Mahatmyam, “A Glória da Deusa”. Segundo esta narrativa, Vishnu gera dois demônios durante um sonho: Madhu e Kaitabha, que desejam impedir que Brahma crie o Universo. Brahma então canta louvores a Grande Deusa, Adisákti, que desperta Vishnu para que ele, junto a Brahma e Shiva lutem contra os Demônios e seu exército, saindo vencedores.

Nos cânticos seguintes, é narrada a liderança de Indra sobre os Devas em contraposição ao domínio de Mahisasura sobre os Asuras (“Demônios”). Mahisasura e seu exército passam a atacar a criação de Brahma, e sendo mais poderosos, subjugam os Deuses. Derrotados, todos reúnem-se e entregam suas armas a Durga, a própria Adisákti manifestada, que montada em um leão e portando todas as armas divinas, luta contra o exercito demoníaco, derrotando a quase todos.

Sobram três poderosíssimos generais. Canda (energia extrovertida), Munda (energia introvertida) e Raktabija (“pensamento descontrolado/compulsivo”). Canda e Munda atacam Durga, que reúne toda sua fúria para derrotá-los ao ver seu amado Shiva ferido. De seu terceiro olho (Ajna) brota uma forma violenta, sanguinária e terrível: Maha Kali. A Divina Mãe Negra.

Canda e Munda são mortos e tem suas cabeças decapitadas – e por este ato, Kali passa a ser denominada como ‘Camunda’, a Decapitadora dos Generais Demoníacos.

Raktabija vai para o campo de batalha, sendo um dos mais poderosos Asuras. Seu poder consistia em nada menos que a multiplicação compulsiva. Cada gota de sangue derramado de seu corpo fazia surgir magicamente do chão uma cópia sua. A multiplicação era inevitável e ele levava vantagem na batalha.

Maha Kali surge novamente  e com ímpeto terrível lacera o demônio, lambendo as feridas com sua imensa e veloz língua e sorvendo o sangue demoníaco, impedindo que novas cópias de Raktabija surgissem, e logo matando o Asura por hemorragia.

O Trimurti, a Trindade de Brahma, Vishnu e Shiva reúnem-se com Indra e cantam louvores a Maha Kali e a Maha Durga, aplacando sua Ira terrível e alegrando todo Universo pela morte dos Asuras.

Aqui, há uma variação na história narrada pelos Thuggees. Determinados cultos a Kali dizem que sua sede de Sangue jamais aplacou-se, e existindo como Mãe Negra, deveria ser constantemente alimentada com Sangue. Daí, faz-se a necessidade de inúmeros rituais de sacrifícios de sangue para aplacar a ira de Kali.

Já outros cultos, dizem que Maha Kali encerrará o “Kali Yuga”, a “Era do aço” e da Ilusão/Mentira, e cantam louvores para que ela retorne novamente para rasgar o véu de “Maya” (ilusão).

phuthieu1989

Simbologia

Ela é tradicionalmente representada em uma posição chamada Pratyalidha, com a perna direita para trás e a perna esquerda sobre o corpo desfalecido de Shiva, ou na posição de “Alidha”, com o pé direito sobre Shiva. Shiva Mahadeva, jazendo sobre Kali, apazígua sua Ira incontrolável, fazendo-a cessar seu rampante de destruição, pois ela o Ama verdadeiramente, sendo sua “Shakti”, sua consorte perfeita, sua Esposa Sagrada.

Sua pele é Negra (Kali significa “Negra”), pois assim como todas as cores se dissolvem no Preto, todas as coisas se dissolvem Nela. Ela está completamente nua, pois ela é completamente despida de Maya. Sua guirlanda de crânios (ou cabeças) humanos representa as 50 letras do Alfabeto Sânscrito e seu Infinito conhecimento.

Sua língua exposta representa sua sede de Sangue e seus dentes pontiagudos seu caráter predatório, junto a seu semblante irado. Seus três olhos demonstram sua visão transcendental, sua onisciência com seu Ajna desperto.

Ela porta as armas dos principais Deuses que duelaram com os demônios: O Tridente de Shiva, o Disco luminoso (Chakra) de Vishnu, as Flechas de fogo de Agni, o Arco de Vayu, as Flechas brilhantes de Surya, a Lança de Yama, o Machado de Visvakarmam, a Espada de Brahma, a Concha de Varua e montada sobre o Leão de Himavat.

by Shiranui94

Kali em Culto 

Existem tradições diversas de cultuar Maha Kali, tantas formas quanto são suas facetas, nomes e manifestações. Alguns templos ao redor do mundo sacrificam inúmeras cabras e ofertam o Sangue e os Crânios a Kali, que bebe da essência dos Sacrifícios em seu Kapala (taça de crânio). O resto dos animais é então levado pelas famílias e preparado em um banquete durante a temporada propícia para o Kali Puja, o festival de Kali, normalmente comemorado em Novembro, mas variando conforme a tradição.

Kali e Vampirismo 

Não é novidade a presença do Vampirismo ao redor do mundo e na Índia não é diferente. Cultuar Maha Kali significa também, ao vibrar seus Mantras, sacrificar seu próprio Prana a Mãe Negra.

É isso que sua comprida língua devora, junto com seus próprios Olhos e sua postura de predadora. Ela é uma Vampira, sorvendo o Prana de seus Filhos, enquanto essa energia intrínseca a existência procede de Shakti, sendo a expressão da Kundalini que mantém o Corpo em sua funcionalidade coesa com a mente e o espírito em Unidade.

O Sangue é o elemento que mais comporta o Prana no corpo físico. A boca de Kali é rubra com o Sangue de seus devotos, que ofertam suas energias a ela – enquanto ela recebe, transmuta e nutre seus devotos, eliminando seus Egos e permitindo sua transcendência enquanto Mãe.

De forma similar, os adeptos do então chamado “Vampirismo” também nutrem-se do Prana alheio, como parte de sua própria evolução pessoal como Predadores.

redreevgeorgeConclusão 

Maha Kali recebe também o título de “Kala”, a que transcende o próprio Tempo. Ela que devora os próprios filhos para que vivam em seu seio em constante regozijo. Ela que é a Mãe do Vampirismo, mas também a Grande Protetora. Ela que porta as Armas e Todo Poder dos Deuses, para rasgar o Pensamento, decapitar o Ego e arrebentar os véus de Maya, da Ilusão mundana.

E por ser a Totalidade, ela é incompreensível em essência. Existindo várias tradições e em várias formas, o texto aqui apresentado é nada além de uma insignificância, um lado de um prisma com inúmeras formas diferentes.

Mas com toda reverência, é dedicado a Ela, que dança nos Smashna, os Campos de Cremação, habitando entre as Piras Funerárias, aguardando a chegada da hora do Mahapralaya, para fazer a Roda do Tempo novamente girar, encerrando o Kali Yuga e trazendo consigo o Mahapralaya, a Grande Dissolução…

Azi Dahaka

TOPH

Jay Kali Maa!

Bibliografia:

Devi Mahatmyam

Ilustrações:

-Autor desconhecido

-phutieu1989

-Shiranui94

-redreevgeorge

Anúncios

6 comentários sobre “Maha Kali

  1. Inominável Ser

    Agora, sim, todo e qualquer esclarecimento sobre Kali em algumas particularidades que muitos ignoram e começam a tacar pedras sem ter o mínimo de vontade de pesquisar e aprender e apreender para não ficar falando besteiras por aí. Excelente texto, Arauto do Chaos.

    1. A concepção de “feminino-lunar x masculino – solar” é um tanto ocidental.
      No japão por exemplo, Amaterasu é a Deusa do Sol.

      Pessoalmente, não vejo Kali como aspecto Lunar, já que ela é uma deusa ígnea, ligada aos campos de cremação e um tanto ativa.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s