Demonologia – Parte II : Legiões

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Et interrogabat eum: Quod tibi nomen est?

Et dicit ei: “Legio nomen mihi est, quia multi sumus”.

-Marcos 5, 9

Na postagem passada, apresentei de forma breve uma introdução a Demonologia. Agora, apresentarei uma das formas mais faladas de Demônios menores, muito citados dentro de grimórios antigos e dentro do cristianismo.

As Legiões.

Muito se fala sobre “Legiões” no meio ocultista, em especial naqueles com queda pela Demonolatria. Entretanto muito pouca gente de fato sabe o que é uma legião. Ainda assim muitos “evocadores” dizem ter tido contato com estas entidades “menores”. Aqui tentarei esclarecer um pouco do que se trata realmente esta espécie de entidade.

A relação de “legião” e demônios começou a partir do evangelho de São Marcos, no capítulo 5, onde Jesus performa um exorcismo de um louco. Ao inquirir o nome do possessor, o “messias” tem como resposta a célebre frase “Meu nome é Legião, pois nós somos muitos”.

Reparem a mistura do plural com singular. Essa mistura pode ter representado uma metáfora descrita pelo próprio possuído. A forma “legio” é um latinismo, tendo em vista que o evangelho foi escrito em Grego, e referia se possivelmente a situação de ocupação da região pelo exército Romano. Ou seja, uma metáfora política sarcástica escondida no evangelho.

No texto original, a frase pode indicar tanto uma experiência ruim daquele “louco” com soldados romanos, absurdamente abusivos na época (um espancamento talvez? Os cortes e cicatrizes pesadamente descritos podem sugerir isto) ou pode ter o significado de Legionário ao invés de Legião. Isso dá margem a outra interpretação. “Meu nome é legionário (soldado), pois nós somos muitos (e todos iguais). Ou seja, o mesmo era na verdade um soldado da legião romana decaído e insano com suas derrotas. A relação com a legião romana é também explicitada na passagem logo após o exorcismo, onde os “demônios” são removidos do homem e colocados em uma manada de porcos. Lembrando que o Javali era o símbolo dos soldados romanos – os “porcos” poderiam ser os próprios soldados que ocupassem a cidade no momento. Afinal era proibido criar porcos na região de Gergesa na época, em vista das leis judaicas.

Mas voltando a legião na sua concepção de forma de entidades. Os demônios funcionam com hierarquias. Não aquelas descritas no Lemegeton, que são atribuições de cargos humanos para nossa melhor compreensão, mas em uma escala de força de domínio. Quanto mais forte o Demônio, mais domínios ele possuirá em seu plano de habitação. As almas sob domínio de um Demônio maior seriam chamadas de “legião”. Ou seja, o exército daquela entidade, trabalhando sob a sua bandeira para os mais variados fins.

A descrição de muitas entidades menciona o trecho “concede ótimos familiares”. Tais espíritos familiares podem ser (isso é variável) membros da legião, portando a “bandeira” daquele Daemon e cedidos ao magista por um tempo para seus serviços pessoais. Quanto mais influência, maior a legião e os domínios. Asmodey é o Rei com maior legião na Ars Goétia, sendo também um dos 4 responsáveis por reger um contingente de 18 demônios maiores, tamanho seu poder. Claro, há muito mais que apenas 72 demônios no inferno e utilizáveis na goétia.

Segundo análises históricas, ao tempo daquele exorcismo uma legião era composta de 6.100 homens a pé e 726 homens com montarias. Portanto a expressão também pode ter sido utilizada para designar que o possuído estava sob domínio de 6.826 entidades diferentes, tornando-o completamente insano, ampliando a força física (Não podendo ser contido nem por grilhões de aço) e fazendo com que ele se flagelasse constantemente (ato também relacionado a demonolatria na época).

As fileiras das legiões são preenchidas tanto com almas de mortos que se estabelecem na frequência da entidade ( ou que firmam algum acordo de serviço post mortem com a mesma previamente), seres de outros planos e qualquer demônios de hierarquia menor que seu governante, que habite na região do astral comandada pelo mesmo.

Acredito que falar das legiões nos concede um bocado de noção da força de algumas entidades com as quais certos “auto-intitulados” demonólatras gostam de brincar de goétia com os selos, desrespeitosamente.

 

Aguardem a parte III.

Azi Dahaka – TOPH I°

Ba Nam I Âharman

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Ilustrações: Spawn – O Soldado do Inferno, criado por Todd Mcfarlane

Bibliografia:

“Lemegeton”, pseudo-Salomão

“Manual de Demonologia”, Carlos Augusto Vailatti.

 

 

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5 comentários sobre “Demonologia – Parte II : Legiões

  1. Nachash

    ” E fazendo com que ele se flagelasse constantemente (ato também relacionado a demonolatria na época).”
    = Já havia demonolatria nessa época? Antes da formação do Cristianismo? Desculpe a ignorância, não compreendi…

    1. Anonymous

      Demonolatria existe desde que o ser humano começou a distinguir o que é bem e mal. Temiam aquilo que não conseguiam entender e que lhes causava problemas de qualquer ordem, logo, idolatravam tais coisas para que não fossem prejudicados por elas.

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