Ensaio sobre o Absinto – A Fada Verde

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In taberna quando sumus
Non curamus quid sit humus
Hoc est opus ut quæratur
Et impositor lotium)

(Benigna autem noctum
Tormenta quod si eris
Benigna autem noctum
Octa remus remigium”

“…E o terceiro Anjo soprou sua trombeta e uma grande estrela caiu do céu,
Ardendo como uma tocha sobre os mares,rios e fontes.
E o nome desta estrela era Absinto.
E um terço das águas do mundo viraram Absinto e muitos homens morreram,
porque se tornaram amargas…”
-Apocalipse.
Do Hebraico= Alosna; fel; amargura

Do Grego = Apsínthius = Ingerível,amargo
Da bíblia, Provérbios 5.4; Apocalipse 8.11.

O Absinto,para quem não conhece (e deve conhecer logo…) é uma bebida destilada composta principalmente da erva alucinógena “Artemísia Absinthium” misturada com hortelã maturado,Anis e outras ervas aromáticas. O Absinto provoca alucinações,por isso o teor alcoólico não é relevante. É o absinto em si que provoca as “alucinações”.
Vale lembrar que a erva é altamente benéfica ao corpo,utilizada em princípio como um remédio para estômago por um médico francês.

Na frança a bebida foi popularizada largamente,chegando a ser proibida no final do séc. XX por ser considerada uma droga (mais de 40% da França era dependente de Absinto,e havia um horário – das 17 as 19h conhecido como “Horas Verdes”).
Mesmo com o preconceito a Fada Verde foi largamente utilizada por artistas (diz-se que Van Gogh cortou sua orelha sob efeito desta bebida) e ocultistas (Aleister Crowley era um usuário mais que assumido e escreveu um texto chamado “The Green Goddess” sob o qual este artigo é inspirado).

Ao ser exportado para o Brasil o Absinto teve que ter seu teor alcoólico reduzido de 84% para 54% para obedecer as legislações do país. Apesar que,tratando-se do Absinto,isso não deve ser encarado como um problema (exceto para os posers de “bebo pra cacete”),visto que a graça da bebida não está em seu teor alcoólico altamente exagerado e sim no Absinto propriamente dito… Ou seja,com o álcool reduzido ele fica ainda melhor e mais propício a sentir-se o poder da planta.

Com o absinto muito forte em álcool a experiência torna-se uma corrida de resistência do ocultista contra o teor alcoólico. Tendo isso em vista nós tiramos vantagens do teor reduzido para aproveitar as plantas inseridas na bebida.

O componente da erva responsável pelas criações de Van Gogh,Oscar Wilde,Crowley,entre outros é denominado “Tujona” (C10H16O),composto químico líquido ,incolor, com aroma de menta. É encontrado em plantas diversas mas notavelmente no Absinto.

Claro,”responsável” quer dizer que ajudou. Ninguém será capaz de atos como o destas estrelas apenas enchendo a cara de uma bebida. Mas o Absinto pode de fato abrir determinadas portas da mente para coisas que não nos imaginamos capazes,mas na realidade somos.

Apesar de suas características boas,há algo ruim na planta. O consumo regular e exagerado de Absinto provoca altos danos nervosos,desordens psicológicas,alucinações,etc. Por isso,como toda bebida alcoólica,tenham MODERAÇÃO e controle no seu consumo. Bebam em boas ocasiões. Não façam como este que vos fala.

Nos EUA o absinto ainda é proibido,embora o Chartreuse,um licor feito com ervas semelhantes e muito mais forte,produzido por monges e padres desde a idade média é liberado. A diferença é a concentração da Tujona. 260 mg/kg no Absinto contra 10mg/kg no Chartreuse,no século passado. Hoje em dia eu honestamente não achei fontes seguras da concertação,mas deve ser relativamente mais alta ainda,para a proibição ser mantida.

Mas o que se esperar do Absinto?
Nada que se veja em filmes como Drácula (apesar da fala “A fada do Absinto quer sua alma…” ser memorável) ou outros em que a bebida apareça. Não é e nunca será como uma viagem de droga ou entorpecentes proibidos por lei (ao menos não atualmente,com a proporção de tujona reduzida).
Estado de total consciência antes de sentir o efeito entorpecente do álcool (para aqueles que não chapam com vodka a cada dia),sensações estranhas,alucinações,corpo em câmera lenta como se andasse na água,em meios ocultistas a abertura temporária do terceiro olho,visões esclarecedoras entre outros.

É o que leva os artistas e ocultistas a serem grandes admiradores do Absinto. A mescla do mundo real com o mundo verde produz resultados absurdamente inimagináveis. O resultado é único.

Inexplicavelmente único.

Mas antes de encerrar por hoje eu acrescento um pequeno relato.

Quando adolescente eu frequentava um bar denominado “Mundo das Fadas”. Era um pé de chinelo (apesar do nome) da minha cidade. E naquele local eu as vezes pedia sozinho uma dose de Absinto e um maço de cigarros. E sentado naquela mesa enferrujada olhando pela janela eu observava a movimentação lá fora. E quando enjoava eu olhava pra fumaça do meu cigarro subindo pro teto descascado. Apenas sentava e olhava. E o cigarro queimava na minha mão a cada trago.

E aquela fumaça maldita dos pecados que eu cometia dizia o meu futuro melhor que qualquer carta de tarot,divinação ou “Scrying” feito até hoje. E foi uma das formas de rituais que eu desenvolvi depois que me tornei ocultista. Um cigarro e um copo de Absinto. E as respostas brotam na minha cabeça.
Ainda hoje a tática funciona… mas não tão bem quanto no “Mundo das Fadas”. Estranhas coincidências que não são mero acaso…

Azi Dahaka.

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4 comentários sobre “Ensaio sobre o Absinto – A Fada Verde

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