Espelhos

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“Eu Te invocarei
Forças da escuridão e do poder antigo
Eu o trarei adiante, na eterna noite impura
Eu Te invocarei
A quem as legiões da luz atacarão
Venham por meus espelhos negros”

-Havayoth, “Mirrors”

Irei tratar aqui das formas mais simples de espelho, ignorando suas complexidades entre côncavo e convexo.

Um espelho plano é uma superfície refletora constituída normalmente de uma liga de prata ou alumínio e estanho. Tal liga resulta em uma capacidade perfeita de refletir os raios de luz de volta a nossos olhos, resultando em uma imagem perfeita a uma distância milimetricamente equivalente do espelho em relação ao objeto refletido.

Sua criação foi possivelmente inspirada nos Egípcios e babilônicos por um corpo de água parado que refletia perfeitamente a luz do céu e objetos que fossem colocados sobre ele. Há relatos também de chapas de cobre e outros metais usados como espelhos pelos antigos.

Um objeto relativamente comum e usual, indispensável no dia a dia e também no ocultismo, embora muito mal interpretado atualmente. Os ocultistas (em especial os aspirantes a praticar evocações) ao ouvir o termo “espelho negro” levam ao pé da letra a expressão e buscam uma superfície refletora em tons de negro para utilização em seus ritos.

A grande verdade é que não importa a superfície, desde que ela seja refletora ela irá funcionar como objeto de canalização de energias se devidamente preparada (e claro, levando-se em conta o bom senso!). A vantagem única em se utilizar de uma superfície opaca ou semi translúcida polida (Uma ônix ou placa de obsidiana, ou um vidro vermelho sobreposto a uma superfície, por exemplo) é meramente a ideia de profundidade passada pela imagem. Isso de certo modo, altera a finalidade do ritual, podendo o ocultista ser tragado para experiências interessantes com projeções, desde que bem alinhado ou minimizando erros em evocações feitas corretamente.

Já os espelhos de rosto convencionais, quando energizadas são portas mais “rasas”, dando uma maior ideia de proximidade da imagem distorcida resultante da perscrutação constante e perseverante feita pelo magista. Ao encarar a superfície os olhos respondem de forma pouco agradável. Picadas leves na retina passam a ser freqüentes, os olhos lacrimejam, a posição torna-se incomoda… Tudo isto já rende um grande exercício de meditação para o praticante.

E esta é apenas uma das utilidades do objeto. Um espelho (não importa o qual) é um portal. Uma entrada e uma saída com dois lados para qualquer plano com o qual ele seja alinhado energeticamente, ou mesmo para dentro de si, indo ao encontro de suas consciências interiores. Então da mesma forma que ele é útil em projeções, também serve para alcançar pessoas através de sua superfície, para que possamos cumprir com nossos propósitos para com elas. Sejam estes bons ou não tão nobres – como vampirismo, por exemplo. Serve também para a perscrutação, oráculos, porta para projeção astral, e a exemplo de Kelly e Dee, para evocação de diversos tipos de entidades.
Na literatura de Lewis Carroll, Alice passa por um espelho para visitar seu mundo de encantos e sonhos. Mas bem como Alice, Narciso em sua lenda Grega atravessou o espelho para sua própria danação, graças a um feitiço de Nêmesis. Apesar de serem lendas e literatura, recorde-se que tudo tem um fundo de verdade ou fato inspirador por trás de si.

No mais, encerro-me aqui com uma citação de Papus sobre espelhos:

“Quando se olha fixamente, durante alguns instantes, o centro do espelho, sente-se umas picadas características nos olhos, obrigando, muitas vezes, a fechar momentaneamente as pálpebras e, por conseguinte, a anular todos os esforços feitos até então. O pestanejamento é devido ao ser impulsivo [o animal, no homem] e é puramente reflexo; é preciso por isso combatê-lo pela vontade, o que é questão de pouco tempo, fazendo diariamente um exercício de vinte minutos no máximo. No momento em que se sentem as picadas características dos olhos, é preciso desenvolver uma tensão de vontade para impedir que as pálpebras se fechem, o que se conseguirá sem muito esforço. Obtido este primeiro resultado, ver-se-á logo o espelho tomar uma coloração diferente da que ele apresenta habitualmente: eflúvios vermelhos, depois azulados e semelhantes aos eflúvios elétricos; e só então é que as formas aparecerão.”

Azi Dahaka

Ba Nam I Âharman

[Escrito originalmente para o fórum Via Sinistrae em 31/01/2012 Era Vulgaris]

Andreea Anghel

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