Lovecraftianos Parte IV – O Tarô do Necronomicon

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” Hieróglifos cobriam as paredes e colunas, e de algum ponto indeterminado, abaixo, vinha uma voz que não era uma voz, e sim uma sensação caótica que só a fantasia poderia transmudar em som, mas que ele tentou traduzir num amontoado quase impronunciável de letras: ‘Cthulhu fhtagn’.”

-O Chamado de Cthulhu 

Como prometido, a quarta parte dessa série sobre Lovecraftianos, venho dar a vocês um pouco do ‘gosto’ desse tarô que adquiri uns tempos atrás e que acho realmente incrível. Ele foi desenvolvido baseado no ‘Necronomicon’ do Donald Tyson, e tem ilustrações da sensacional Anne Stokes, que entre outras coisas, foi ilustradora do jogo ‘Magic: The Gathering’.

Eu recomendo fortemente esse tarô, além da simbologia simples para aqueles familiarizados com os mitos de Cthulhu, ele acompanha um livro extremamente detalhado e bem explicativo, possui uma arte linda e carregada com um peso simbólico muito forte.

Além de ser um oráculo magistral, as cartas podem também ser utilizadas em meditações, scrying e, claro, como Sigilos evocatórios para aqueles que pretendem de fato acessar as energias provenientes das egrégoras dos Mythos de Cthulhu.

Sem muita enrolação, irei apresentar de forma extremamente breve as cartas dos Arcanos Maiores do baralho, com alguns breves comentários, apenas para fins demonstrativos. Peço que não levem em conta a péssima qualidade das imagens, minha câmera realmente não é muito boa… mas o importante é estar visível, não é? rs

Arcanos Maiores

 20150423_072504~20 – O Tolo – Azathoth (Ar)

O Deus Cego e idiota, sentado com sua flauta partida, imperfeita, incapaz de nota ou som correto. A música gera um manto vivo de sprits e fadas dançarinas que cercam seu torso distorcido no hall constituído de ângulos desconhecidos pela nossa geometria causal… é a inocência, a curiosidade infantil pelo mundo lá fora e o princípio da Jornada.

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I – O Mago – Nyarlathotep (Mercúrio)

O ‘Mago de Negro’, de pé sobre uma duna em algum deserto perdido pelo Egito, a terra da magia, o feiticeiro dos Antigos aplica uma cruel sentença naqueles que o desagradam. Vítima de uma maldição de Decomposição, o espírito é drenado diante da grandeza do mago, que devora a essência de sua presa. Ele é a eloquência, a persuasão, a maestria e o ápice das habilidades e da força de vontade.

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II – A Alta Sacerdotisa – Bastet (Lua)

Bastet é a Deusa dos Gatos, representando aqui a Sacerdotisa do Egito. Dotada de uma elaborada máscara de gata e portando um centro cujo final é uma pontiaguda flecha, ela é cercada por três felinos: Um negro, um branco e um cinzento, representando 3 vias. Ela é a iniciação, o mistério, os fardos e segredos espirituais, as dádivas e a benevolência.

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III – A Imperatriz – Shub-Niggurath (Vênus)

A Deusa em sua lascívia, totalmente nua. A predadora sexual, uma versão da ‘Vênus Inversa’, semelhante a Lilith, a Rainha das Deusas Negras, com seus filhos e súditos a seus pés, portando o crânio da humanidade e uma forca, e emoldurada pelo fogo que lembra a entrada de seu útero negro – a Porta do Sitra Ahra…

Ela representa fertilidade, vitalidade, paixão, saúde, vida nova, a sensualidade feminina.

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IV – O Imperador – Amun (Áries)

Habitando dentro do santuário, no coração do templo, está Amun, com seu corpo dourado iluminado pelas tochas. O Imperador com sua coroa de chifres curvados, rodeado por lascivas sacerdotisas seduzidas por seu poder fálico e que despertam seu calor interno, sua Chama.

Ele simboliza a Virilidade, potencia, criatividade, força masculina, e aspectos semelhantes.

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V – Hierofante – Dagon (Touro)

O sacerdote dos Antigos, Dagon fala através de sua voz mais grave que o maior dos sinos. Um farol ilumina sua face horripilante com um facho de luz, enquanto seus asseclas, os Abissais, nadam ao seu redor, seguindo sua Palavra.

Dagon simboliza a Tradição, religião, espiritualidade, honra, dever, liderança, sacerdócio.

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VI – Os Amantes – Abissal e sua Noiva (Gêmeos)

Como citado nos textos anteriores, os habitantes das profundezas possuem por hábito casarem-se com mulheres humanas. Esta carta representa o casamento Alquímico entre a Humanidade e os habitantes das profundezas, a União Perfeita dos Opostos.

Simboliza o Amor, relação, casamento, compromisso, aliança, juramente, união com aliados, confiança, devoção.

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VII – O Carro – Besta da Babilônia (Câncer)

A Grande Besta de sete cabeças com faces humanas, que se ergue dos esgotos das ruínas babilônicas a noite para devotar a tudo e todos. Seu corpo gigante, inatingível, suas asas de couro, longas pernas e pescoços que se encerram em rostos – especialmente dos magos e necromantes por ela devorados, são uma visão perturbadora…

Ela representa a Vitória, triunfo, autoridade, glória, controle, admiração, etc.

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VIII- A Força – Shoggoth (Leão)

Os escravos dos Antigos, constituídos de pura energia e Força, mesmo não possuindo forma física. Seus pseudópodes ergueram muralhas, pirâmides e castelos do Império dos Antigos.

Simboliza o espírito indomável, força, perseverança, energia, recusa a se render, nobreza, valor.

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IX – O Eremita – I’thakuah (Virgem)

A velha feiticeira da floresta, antiga como as árvores e presa a sua solidão. Ela espera e anseia pelo retorno DELES, que sussurram em seu ouvido durante a noite…

Simboliza a sabedoria, segredos, disciplina, castidade, compromisso, negação, estudo.

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X – Roda da Fortuna – Yog-Sothoth (Júpiter)

Feito de puro Poder e Energia, ele se manifesta diante da roda da fortuna que é o Stone-Henge, o nexion-local de energia mais famoso presente no mundo. O vórtex de energia gira uma vez mais, mudando os cursos desta e de outras realidades…

Simboliza mudança, transformação, mudança de sorte, evolução, avanço.

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XI – Justiça – A Criatura na Esfera (Libra)

Uma cópia miniatura do Grande Cthulhu aprisionada numa jaula, nos confins de algum calabouço oculto de algum mago poderoso. Os metais na gaiola são reforçados através de alguma mágica negra, mesmo após a morte de seus evocadores, quando somente a criatura permanece…

Simboliza decisão justa, autoridade, erro reparado, verdade revelada, julgamento imparcial.

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XII- O Enforcado – Poço de Seraph (Água)

O habitante pendurado no poço é um Seraphim, palavra em hebraico para ‘serpente flamejante’. O Anjo Caído funde-se a água devido ao tempo em que ali habita, e apesar da expressão serena, impõe sem pena seu julgamento no ladrão andarilho que tenta alcançar seus mais remotos tesouros.

Representa suspensão, espera, necessidade de paciência, atraso, sacrifício voluntário, teste de fé, mistérios.

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XIII – Morte – Tsathoggua (Escorpião)

Um homem usando uma máscara sacrificial de esqueleto jaz de joelhos num cenário pantanoso. Sua barriga aberta despeja sangue sobre o solo. Diante dele, a efígie de Tsathoggua, de onde brota uma névoa de energia, que é o Deus dos Pântanos, Morte e Vida atraído por seu odor…

Simboliza transformação, renascimento, transição, ordálios.

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XIV – Temperança – Reanimadores (Sagitário)

Rumores contam-nos de uma tal ‘Ordem de Sphinx’ presente no antigo Egito. Um grupo de adoradores de Nyarlathothep dedicados a reanimação de corpos, magos necromantes que podem ser vistos nesta imagem, representando a temperança, purificação, renovação, harmonia e merecimento possuídos pelos magos dedicados a arte.

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XV – O Diabo – Cthulhu (Capricórnio)

O Diabo é o arquétipo do General dos Antigos. Aquele opositor a toda criação e a própria raça humana. Em sua morada submersa, Cthulhu aguarda sonhando até que desperte para conquistar este mundo.

O Diabo é a carta da rebeldia, desafio, vitalidade, bestialidade, força brutal, luxúria, magnetismo pessoal, dominação, impetuosidade, arrogância.

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XVI – A Torre – Grande Ziggurat (Marte)

A ‘torre de babel’ incorporada na máscara da Grande Ziggurat, uma imensa torre de 7 andares, rodeada por cultistas, onde em seu topo acha-se um altar aceso com uma pira. Um raio cai dos céus como uma tempestade de fogo, destruindo a orgulhosa torre, fazendo os cultistas acovardarem-se em pânico.

A carta da torre representa edificação monumental, grandes projetos, ambição, horarias, templos, arranha-céus e queda pelo orgulho exacerbado.

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XVII – A Estrela – Ishtar (Aquário)

A bela deusa Ishtar diante do mar e de uma pirâmide, tocando a estrela Sirius com seu indicador. A constelação do Cão é representada por seu companheiro altivo e alerta. Sobre Ziggurat brilha intensamente Vênus, Estrela da Manhã.

A Estrela representa esperança, dádivas, limpeza da alma, renovação, propósito, destino, guia, desejos.

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XVII – Lua – Cães de Leng (Vênus)

Em uma cena com aura de ameaça, dois cães trilham um caminho selvagem, com loucura em seus olhos. Acima deles, a lua minguante ilumina com seu brilho azulado a cena. Algo além de simples cães aguarda nesta trilha…

A Lua representa ilusão, perigo no caminho, ambiente hostil, armadilha, inimigos ocultos, mentira, precaução.

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 XIX – Sol – O Espaço Vazio (Sol)

O Sol castiga a paisagem desértica conhecida como ‘Espaço Vazio’. A inusitada cena de um andarilho solitário sendo perseguido por um redemoinho de areia vivo, dotado de uma face torturada com boca escancarada e olhos malignos é retratada em meio as dunas do deserto…

O Sol representa poder, lei natural, clareza, revelação, verdade essencial, prosperidade.

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XX – Julgamento – O Guardião do Éden (Fogo)

Uma das cartas mais pesadamente simbólicas: Um jardim, onde existem duas árvores, uma morta a esquerda e uma viva a direita, ligadas por uma ponte de pedra. Em meio a ponte, há um bloco com o desenho de uma cabeça bestial. Um rasgo nos céus revela um ser Angelical, que proporciona uma chuva de fogo, queimando os corpos nus do casal abaixo.

O Julgamento representa recompensa pro honra ou punição por desonra, prova de culpa ou inocência, decisão imparcial.

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XXI – O Mundo – Yig (Saturno)

A grande Serpente se enrosca em um ovo negro (Akasha), de forma similar a que o Ourobouros se enrosca no mundo. Por trás da serpente emplumada, um vórtice de Caos e criação se manifesta.

O mundo representa realização, completude, totalidade, ato final, conclusão.

Bom, esta foi nossa breve apresentação. É lógico que há muita simbologia a ser vista nestas imagens, e ainda existem os arcanos menores, dos quais não irei falar. Pra quem quiser aprofundar-se mais, busque por este oráculo, vale a pena.

No próximo post, a conclusão sobre a série de Lovecraftianos num breve comentário, com um ritual incluso.

Mantenham a Sanidade até lá.

Azi Dahaka. 

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