Lovecraftianos Parte III – Necronomicon Ex Mortis

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“Tatra amistrobin azarta, tatis manor manziz hounaz, ansobar saman darobza dahir saika danz deroza, kandar, kandar, kandar”.

-Necronomicon em ‘Evil Dead – A Morte do Demônio’

Creio que seja impossível falar dos mitos lovecraftianos – bem como de qualquer temática ocultista da Mão Esquerda sem citar este, que é talvez o mais famoso e famigerado grimório de magia buscado pelos ocultistas na atualidade. Afinal, foi nos contos de Lovecraft que este livro surgiu, contendo em si as evocações/invocações, sigilos, entoações e ritos capazes de abrir as portas da mente para Os Antigos e para os seres grotescos presentes nos bestiários anteriores.

A tradução do título do grimório é algo próximo a ‘Livro dos Nomes Mortos’, sendo citado repetidas vezes nos contos de Lovecraft e tendo aparecido pela primeira vez no conto ‘The Hound’ em 1923. Sua autoria é atribuída ao Árabe Louco, Abdul Alhazred, que teria compilado neste livro, escrito com sangue humano e encapado em couro de gente, os mistérios mais grotescos descobertos por ele no deserto Árabe, e narrando seu contato com os Antigos e com os Deuses e criaturas descritas no tomo, que lhe roubaram a sanidade.

É desapontador aos Ocultistas que almejam tal livro que o próprio Lovecraft tenha admitido que o livro não passara de invenção de sua mente doentia, jamais tendo sido escrito de fato, e sem nenhuma menção anterior a seu conto. Abdul e o Necronomicon jamais existiram.

‘[…]Não existe tal coisa como o Necronomicon ou o árabe louco Abdul Alhazred. O livro é algo que saiu da minha imaginação e que parecia, modéstia à parte, bom demais para não ser usado repetidas vezes’

-Carta de Lovecraft a Robert Bloch, 1933

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As Farsas dos Necronomicon

-Simon

Cerca de 40 anos após a morte de Lovecraft, por volta da década de 70, os mitos se disseminaram de forma extraordinária, através da editora Arkham House. Em uma época de pouca informação, onde segredos ocultos eram buscados de forma muito mais escassa, a lenda do livro propagou-se como real. Isso fez com que diversos grupos esotéricos e ocultistas buscassem o livro, de várias formas possíveis.

Isso causou certa ‘febre do Necronomicon’. Surgiu então, na loja Magickal Childe em Manhattan, EUA, ao dono da Loja chamado Herman Slater, um ocultista chamado L.K. Barnes, que havia adquirido um manuscrito de um tal ‘Simon’. Juntos, eles publicaram 666 edições do Necronomicon de Simon. Konstantinos, ocultista americano moderno possui a cópia 660 e o músico e ocultista King Diamond recebeu a cópia número 666. Após o esgotamento da raridade, uma versão ‘pocket’ foi publicada em 3.333 edições.

Basicamente, o livro associa os Mitos de Lovecraft a antigos Deuses Sumérios, para dar uma ‘roupagem mais real’. Nessa roupagem, usa elementos da Thelema, ritos, evocações e tudo que um grimório deve possuir.

-Hay

George Hay, editor da versão de Simon, um ano após a publicação do livro, criou sua própria versão do tomo. Ele disseminou uma história falsa de como o pai de Lovecraft era um ocultista de renome e contou a seu filho sobre o grimório real, inspirando suas histórias. Esta sua versão, seria a ‘real’.

A publicação foi um fracasso. Somente rpgistas e adolescentes se interessaram pelo livro, que foi desprezado por ocultistas, considerado extremamente fantasioso e baseado numa história visivelmente falsa.

-Tyson

Donald Tyson lançou um grimório fictício em forma de romance, onde o próprio Abdul narra suas peregrinações, experiências e a decadência de sua sanidade, expondo ‘em relatos práticos’ o que seria o livro.

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Qual parte de ‘não mexa neste livro’ você não entendeu?

Vários livros semelhantes e textos foram publicados na mesma época, mesmo porque foi o momento que ordens esotéricas passaram a utilizar os mitos em seus cultos internos. O livro também se propagou devido ao uso dos mitos em filmes de horror como as produções da Hammer Films (destacando o ‘Castelo Assombrado’ com Vincent Price e ‘Evil Dead- A Morte do Demônio’; recomendo ambos como filmografia!) aumentando a fama e o teor de ‘realidade’ na aura do livro.

Entre estes outros livros, pode-se incluir o ‘Grimorium Imperum’ atribuído a John Dee. Muito provavelmente esta atribuição é falsa, mas o tomo ainda é relevante do ponto de vista ritualístico.

O livro possui uma aura mística tão poderosa que pode mesmo ser utilizado como amuleto, como adorno em templos, ou ter seus rituais e simbologias aplicados em rituais REAIS, adaptados e energizados para entrar em contato com… bom, com seja lá o que habite no interior destes sigilos após terem sido verdadeiramente carregados de energia dentro destas ordens de pessoas insanas que almejam o retorno DELES.

Conclusão: Os Nomes Mortos

 

Portanto, tenha sido inspirado ocultisticamente (alguns dizem ter sido baseado no livro ‘O Rei de Amarelo’), seja ter sido somente uma invenção da mente torta de um homem que caminhava na linha tênue entre insano e gênio, o livro possui inegavelmente sua carga psicodramática, e sua simbologia, como um sigilo vivo e pulsante, canalizado por ordens com já cerca de 30-50 anos de existência e possuindo já sua relevância.

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Então, caro leitor… desejas saber se tais ritos funcionam? Se são adaptáveis? Os sigilos supostamente presentes e as orações aos Deuses Exteriores e aos Antigos? Eis aqui uma cópia, supostamente atribuída como ‘fragmentos reais aos quais Alester Crowley teve acesso’ (isso pode ou não ser verdade). Em toda forma, o livro vale a conferida.

Necronomicon – O Livro dos Nomes Mortos

Boa sorte e mantenha  sua sanidade. Na próxima postagem, falarei um pouco sobre o Tarot do Necronomicon de forma breve e resumida.

Ba Nam I Ahereman. 

Azi Dahaka.

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