Lovecraftianos Parte II.I – Bestiário

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“Ph’nglui Mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn.”

É algo realmente complicado estabelecer a relação de ‘quem é o mais forte’ nos mitos de Lovecraft. O autor deliberadamente deixou suas criaturas o mais obscuras possível, de forma que a Insanidade, a Loucura, e a pequenez do ser humano diante destas bestas incríveis permeassem suas histórias com mistério, criando a atmosfera que foi sua marca registrada. Segundo o próprio criador destes seres, eles retratam justamente a ‘premissa fundamental de que as leis e interesses e emoções humanas não possuem validez ou significância diante da imensidão do cosmos’.

Portanto, a mera visão, voz ou contato com um dos Deuses a seguir pode enlouquecer um homem, fragmentando sua mente como um frágil pedaço de vidro ao senti-los como existentes de fato.

Pouco pode ser afirmado de fato sobre estes seres que estão além da compreensão humana pífia, mas o pouco que Mestre Lovecraft deixou registrado, será exposto a seguir, nesta primeira parte do nosso sinistro bestiário sobre seus Mitos.

Bestiário, Parte I – Os Deuses Antigos

Neste primeiro fragmento dos ‘Nomes Mortos’, iremos dar espaço e foco aos Deuses Antigos. A Classe mais Alta na hierarquia dos seres do mundo elaborado por H.P.

Os Deuses costumam ser divididos pelos estudiosos em ‘Deuses Externos’, entidades tão distantes que nosso mundo pra eles é um mero grão de areia ignorado; os ‘Grandes Antigos’, Deuses que reinaram em nosso mundo uma vez, e reinarão novamente ao despertarem e  ‘os Deuses ocultos dos Sonhos’/’Deuses fracos da Terra’, os Outros Deuses e os Deuses de Kadath, a terra desconhecida dos Sonhos.

AZATHOTH

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Azathoth por shanegallegher

 

“Aquela última disforme  visão de confusão que blasfema no centro de toda infinitude – O Demônio Sultão sem amarras, Azathoth, cujo nome não há lábios que ousem pronunciar em voz alta, e que  se atormenta faminto e ininteligível, através das câmaras onde ressoam as enlouquecedoras batidas de malignos tambores e o fino e monótono assobio de flautas malditas”

-Em busca de Kadath

Azathoth é o Deus Idiota e Cego, que habita no centro do Universo, além do espaço-tempo. Ele é amorfo, disforme, e sobre ele, ao som dos tambores da insanidade, dançam inúmeros Deuses menores. Ele é o Senhor dos Deuses Externos, mas mesmo assim é pouquíssimo cultuado na Terra, pois tende a ignorar mesmo seus cultistas. Quando é Evocado, ele irrompe o local em energia, normalmente estourando vidros, deixando a água alcalina e matando plantas próximas.

Azathoth é o nome concedido no Necronomicon ao ‘monstruoso Caos Nuclear além do espaço-tempo’, a personificação ilusória do ‘Big Bang’. Rumores dizem que ‘Invocar Azathoth’ seria uma espécie de código significando ‘Explosão (as vezes mesmo Nuclear)’. Ele habita próximo a um grande buraco negro, e é dito que o som ensurdecedor das flautas é, na verdade, o som da radiação energética que emana ao redor dele.

Ele é também o senhor do Niilismo, por demonstrar a total irrelevância entre torturar e ser torturado. Ele simplesmente não se importa.

CHAUGNAR FAUGN

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Imagem por Barguest

‘…Chaugnar Faugn e outros rumores blasfêmicos…’

-O Horror no Museu

Chaugnar Faugn lembra nada mais que uma distorção grotesca do Deus Hindu Ganesha, sendo um dos Antigos com forma hominídea, cabeça de elefante e enormes orelhas dotadas de tentáculos e o tronco é dotado de iguais tentáculos, em forma de enguia sugadoras de sangue. Caído na Terra na era Devoniana dos anfíbios, ele permanece em estado permanente de torpor, despertando somente para se alimentar de Sangue – embora este processo possa levar milênios ou até mesmo Eras.

Atualmente ele está em estado de petrificação no Platô de Tsang no Tibete. Ele é um ser alienígena, que experiência do tempo e o espaço de formas diferentes de nós. Seu estado de petrificação é na verdade um estado desta experiência. Diz-se que as feridas que ele causa jamais se curam. Ele é tido como uma descontinuação no espaço, que ao cruzar um território, deixa pra trás cópias de suas efígies em forma de elefantes, e quando esta energia cruza por seres humanos, os transforma em hospedeiros de monstros semelhantes a paquidermes.

CTHUGHA

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Cthugha, por Drhoz

 

‘Sua forma era nada menos que aquela cuja o mundo temia desde que Lomar lançou-se ao oceano, e as Crianças do Fogo vieram a Terra para ensinar os Antigos Conhecimentos ao homem’

-Através dos Portais da Chave de Prata

Cthugha é uma eterna e disforme orbe, sempre em combustão, girando ao redor da estrela Fomalhaut, de onde seus cultistas o evocam, ou a seus seguidores, os Vampiros de Fogo. É um dos Deuses Externos mais obscuros e pouco falados. Diz-se que em tempos ancestrais, manifestava-se através de deuses como Agni ou Moloch, a quem o Fogo era dedicado e sacrifícios nas chamas realizados. Os magos do Fogo Sagrado, dedicado a Ormazd na Pérsia antiga retornaram os meios necessários de cultuar e invocar este Antigo no nosso mundo novamente.

Por ter energia proveniente do Fogo, opõe-se aos Antigos, que habitam na água e no ar. Rumores dizem que podem estar em ‘facções’ contrárias, explicitadas através dos elementos pelos quais manifestam-se.

Ele é o Deus Externo que é a encarnação do Magnetismo, uma das forças físicas atuantes no nosso plano.

CTHULHU

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Cthulhu por aodemir 

‘Parecia um tipo de monstro, ou de símbolo representando um monstro, cuja forma só uma mente doentia poderia conceber. Se eu disser que minha algo extravagante imaginação lhe atribuía ao mesmo tempo os traços de um polvo, de um dragão e de uma caricatura humana, não estarei sendo infiel ao espírito da coisa. Uma cabeça polpuda e tentaculada encimava um corpo grotesco e escamoso dotado de asas rudimentares; mas era o contorno geral do todo que chocava. Atrás da figura havia uma vaga sugestão de cenário de arquitetura ciclópica.’

-O Chamado de Cthulhu

 

O Grande Antigo Cthulhu (pronuncia-se Kutúlu) habita na cidade de basalto naufragada chamada R’Lyeh, milhas de profundidade no fundo do Oceano Pacífico. Lá ele permanece eternamente adormecido, enviando através de seus Sonhos mensagens para homens mortais escolhidos através de tecnologia alienígena que nós humanos chamamos de ‘Magicka’, levando uns a Loucura completa e outros a insana devoção por sua mensagem.

Quando as Estrelas se alinharem corretamente, o Selo que prende R’Lyeh ao fundo do Oceano se quebrará e Cthulhu caminhará livremente pela Terra, espalhando o Caos, preparando o terreno de nosso plano para a vinda de outros Antigos superiores mesmo a ele.

Ele é o Alto Sacerdote dos Deuses Exteriores e General de uma raça de cefalópodes Titânicos habitantes da estrela Xoth. Ele caiu na terra na era Premiana, mas utilizou-se de um feitiço para preservar sua cidade e a si, em estado suspenso de animação. Dizem que alguns de seus poderes sobreviveram em uma linhagem sanguínea rara dos descendentes por DNA dos Kathulos, os sacerdotes de Atlântida. E agora essa linhagem caminha entre nós, ouvindo O Chamado…

Ele é também o chefe supremo da raça dos “Deep Ones” (Os Abissais), que o materializaram fisicamente através de experimentos mágicos/tecnológicos. É o chefe dos seres aquáticos, rival não apenas de Cthugha, mas também de seu meio-irmão Hasthur, o líder dos poderes do Ar – e deseja não apenas destruir o Deus, mas também varrer seu culto da superfície da terra.

Ele é também, no nosso plano, a encarnação senciente da Força conhecida como Gravidade.

DAGON

Dagon

‘Enorme, polifêmico e repugnante, ele disparou como um monstro de pesadelos para o monólito, sobre o qual arrojou seus gigantescos braços escamosos, enquanto inclinava a cabeça horripilante, produzindo sons ritmados. Pensei ter enlouquecido então…’

-Dagon

Pai Dagon e Mãe Hydra são dois Antigos titânicos, com mais de 30 pés de altura. Ao contrário de Cthulhu, são livres para se moverem pela Terra, mas raríssimas vezes aparecem na superfície. O prefixo ‘Dag’ vem do hebraico ‘Peixe’, e era um antigo deus dos mares. Ele é um avatar de Shub-Niggurath e seus cultistas frequentemente se relacionam e miscigenam com os ‘abissais’ e outros seres, gerando uma curiosa linhagem.

Dagon e Hydra parecem ser uma cruza entre seres de Xoth (como Cthulhu) com um Abissal regular. Eles podem alterar suas formas para manifestarem-se como sereias, tritões, abissais, ou até mesmo humanos.

DAOLOTH

Daoloth

‘Todos os objetos… eram totalmente além da descrição ou compreensão. Gilman as vezes comparava [eles] a prismas, labirintos, aglomerados de cubos e planos… [ou] variavelmente como intrincados arabescos emaranhados em algum tipo de animação ofídica. Tudo que ele viu era inexplicavelmente ameaçador…’

-Os sonhos na Casa da Bruxa

Daoloth, o Disseminador dos Véus, aparece como um complexo de intrincados padrões de bastões de plástico e hemisférios de metal. Olhos aparecem brilhando entre seus componentes, mas nunca podem ser vistos. Ver Daoloth traz a loucura, pois o olho humano tende a seguir seus padrões. Ele se move estendendo seu corpo a nível micro-dimensional.

Seus cultistas tem o poder de ver o passado e futuro e perceber objetos fora desta dimensão, viajar astralmente, e ver vários tipos de realidade. Ele é idolatrado especialmente em Yuggoth e outros reinos alienígenas ao nosso. Na Terra, seus cultistas o evocam somente em total escuridão para não verem o Deus e caírem em loucura.

Ele é a própria manifestação do Apocalipse, frequentemente fazendo com que aqueles que percebem sua presença sem possuir barreiras mentais contra ele caiam em dimensões distantes, de onde raramente retornam. Ele é a encarnação dos reinos de magia, e é a própria estrutura universal do Universo manifesta.

GHATANOTHOA 

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‘Escorrendo e surgindo pela porta escancarada da Cripta Ciclópica eu tive uma visão inacreditável de uma monstruosidade Behemótica que eu não podia duvidar de seu poder original de matar meramente com sua presença. Mesmo agora eu não posso começar a descrever com nenhuma das palavras a meu comando.’

-Fora dos Aeons

A raça dos Mi-Go trouxeram Ghatanothoa para a Terra e construíram para o Grande Antigo um templo dentro de um vulcão desativado no continente de Mu. Quando Mu afundou (assim como Atlântida), o Grande Antigo ficou aprisionado. Mas ele desperta cada vez que tremores sub aquáticos forçam o vulcão para cima.

Sua dimensão é tão imensa, que observar Ghatanothoa completamente ou de forma clara, leva qualquer ser humano a um estado de ‘mumificação em vida’, tornando-o inerte e incapaz de mover-se, como um corpo sem consciência.

A este Grande Antigo eram oferecidos sacrificios humanos pelos sacerdotes de Mu. Ele é a primeira Cria de Cthulhu, e por causa dele uma facção de Xothians (habitantes de Xoth) guerreou contra R’Lyeh em guerra civil. Este foi o fato que fez a cidade de Cthulhu afundar.

GOL-GOROTH

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‘Nos meus profundos sonhos, o grande pássaro sussurrou suavemente 

Do cone negro em meio ao deserto polar

Empurrando para cima o lençol de gelo,

Por eras de tempestade insana agredidas e desfiguradas’

-O Fungo de Yuggoth: Antarktos

Gol-Goroth é o pescador dos mundos externos. Um gigantesco Antigo coberto de escamas negras, possuindo um tentáculo dotado de boca afiada cheia de dentes. Possui asas curvadas em suas costas, e lembra por vezes um grande sapo negro e outras um grande pássaro negro. Ele habita dentro de um vulcão inativo no Ártico/Antártica. Frequentemente atrai cultistas com promessas de conhecimento sobre o Gelo, Magia e tesouros – pois aprecia sacrificios humanos e cultos orgiásticos.

Ele é a forma de sapo de um deus conhecido como Senhor das Trevas ou ‘Deus Esquecido’. Sua forma de pássaro é chamada Groth-Golka.

HASTUR

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‘Havia todo um culto secreto de homens malignos (um homem com sua erudição mística irá compreender porque eu os ligo com Hastur e o Signo Amarelo) devotados ao propósito de rastreá-los e feri-los em benefício dos monstruosos poderes de outras dimensões.’

-O Sussurrador nas Trevas

Hastur é um cefalópode como Cthulhu, com uma face distorcida e horrenda. Ele habita perto da estrela Aldebaran, preso em um fosso de gravidade causado pela estrela, na constelação de Touro. Seu culto é muito ativo na Terra. Ele é a encarnação da entropia, caos, paranóia, desespero, futilidade e irracionalidade. Sua forma de manifestação é um reflexo espelhado destas sensações, pois ele habita nesta energia, sendo impossível dizer se ele de fato possui uma existência ‘real’, sendo considerado a manifestação de um complexo de ‘memeplex’.

Ele é também o líder dos Antigos do elemento Ar, que voam entre Aldebaran, Terra e outros locais onde se manifestam. Seus principais seguidores são os Byakee.

Hastur não é seu real nome, mas uma conexão entre ele e o ‘Signo Amarelo’ e o mito do Rei de Amarelo. Ele é referido por seus cultistas como ‘Aquele que não se deve nomear’ ou ‘O Inominável’ – pois repetir seu nome por três vezes pode atraí-lo ou sua energia (sentida como uma forte pressão sobre a pele). Ele é consorte de Shub-Niggurath e juntos encarnam Decadência e Fecundidade, Entropia e Gigantismo.

ITHAQUA

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‘E sob os obscurecidos gritos de homens e cavalos aquela demoníaca batida se ergueu mais alto, enquanto um vento gelado de chocante senciência e deliberação desceu para baixo daquelas alturas proibidas e enroscou-se sobre cada homem separadamente, até que toda corte estivesse lutando e gritando no escuro…’

-O Povo muito antigo

O Grande Antigo Ithaqua, o Caminhante dos Ventos, habita nos desertos de gelo do Ártico. Ele atrai transeuntes e os carrega aos céus, para serem achados semanas depois, congelados em posições de incrível horror, normalmente com partes do corpo faltando ou totalmente mutilados.

Ithaqua assemelha-se a um gigantesco humanoide com garras e olhos vermelhos, similar a um ‘wendigo’ das lendas, e imensas asas. Ele possui tentáculos semelhantes aos de seu pai, Hastur.

Ele inspira o Canibalismo e frequentemente os que sobrevivem ao encontro com ele passam a ser insensíveis ao frio, ou se transmutam em cópias menores dele.

Ele é a encarnação da queda de temperatura e da termodinâmica. Ele é uma ‘amostra grátis’ da decadência pelo congelamento, inevitável ao mundo. A era do gelo. Por isso, habita na região mais desolada e fria possível.

As vezes suas vítimas são levadas para dimensões distantes como Borea, e retornam com sinais ou artefatos de civilizações desconhecidas em seus corpos.

MORDIGGIAN

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‘É um antigo rumor que as almas das hostes vendidas ao diabo não se precipitam por suas charnecas de argila, mas engordam e alimentam o verme que boceja; até que se criem da corrupção horrendas formas de vida…’

-O Festival

Mordiggian, o Deus da Charneca aparece como uma enorme massa de morte e decadência similar a um verme, constituído de cadáveres apodrecendo. É dificil discernir corretamente, pois ao se manifestar ele extingue toda luz e calor do local.

Ele é o Pai dos Ghouls, e é adorado por todos os mortos vivos e necromantes. Dizem que as sepulturas possuem túneis que conduzem até o reino-prisão de Zul-Bha-Sair, na Terra dos Sonhos onde ele reside. Seus adoradores trajam o preto e o prata, e ele é uma deidade funerária. Este Deus concede a seus adoradores a Imortalidade, mas cobra altos preços para ressuscitar mortos, pois são de sua propriedade.

Ele possui uma forma semelhante a uma esfinge agressiva e gigantesca, que persegue aqueles que o ofendem ou a seu culto. Ele é tudo aquilo que mesmo os Deuses se tornarão no fim de suas existências. Ele incorpora e absorve a mente de tudo que vive e devora os cadáveres dos Mundos quando sua existência cessa.

MORMO

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‘O amigo e companheiro da noite, tu que regozija-se no latir dos cães e no derramamento de sangue, que vagas entre as sombras, entre as tumbas, que anseia por sangue e traz o terror entre os mortais, Gorgo, Mormo, Lua de mil faces, olhe favoravelmente para nossos sacrifícios!’

-O Horror em Red Hook

Mormo é um Grande Antigo relacionado a Lua. Ela era adorada como Hékate, Ashtarte, Diana, Lilith, Lamia, etc. Ela se manifesta em três formas, como uma velha e sarcástica vampira, uma górgona com tentáculos no lugar do cabelo ou uma besta semelhante a um sapo com uma massa de tentáculos no lugar do rosto, sendo esta última a forma de seus servidores, as Bestas da Lua.

Diz-se que ela é um avatar de Nyarlathotep adorado pelos Ghouls, que ensinaram aos Necromantes a venerá-la. Seus três aspectos são conhecidos como Mater Lachrymarum, Matrona Surda das Aranhas; Mater Suspirorum, a Mãe Muda das Corujas e Mater Tenebrarum, a Mãe Cega dos Ratos. Cada um destes aspectos pode negociar com humanos.

Ela é rival da Grande Antiga Bastet, e matrona dos Cães, vampiros e lobisomens.

NODENS

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‘…Sobre as costas de golfinhos estava equilibrada uma concha granulada onde cavalgava a grotesca forma primal de Nodens, Senhor do Grande Abismo.’

-A estranha Casa na Névoa

Nodens é um Antigo que normalmente toma a forma de um homem de barba grisalha, de aspecto envelhecido.Ele já foi cultuado na antiguidade pelos Celtas e Romanos como Deus da Caça, dos Cães e dos Mares, e na Irlanda sob o aspecto de Nuada da Mão de Prata.

Diz-se que ele pode responder a qualquer pergunta feita a ele, mas no processo drena a personalidade de seu inquiridor. Nodens habita na Terra dos Sonhos, tendo como servidores os Nightgaunts. Há rumores de que ele seja independente de Nyarlathotep, chegando a auxiliar os inimigos do ‘Homem Negro’, para provocá-lo.

NYARLATHOTEP  

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 ‘E por fim, do interior do Egito veio o estranho Obscuro, a quem todos se curvaram; silencioso, esguio, soturnamente orgulhoso, envolvido em tecidos vermelhos como a chama do por do sol.  Multidões pressionavam a seu redor, fanáticos por comando, mas ao saírem não podiam dizer o que haviam ouvido; enquanto através das nações espalhava-se a aterradora palavra de que bestas selvagens o seguiam e lambiam suas mãos.’

-O Fungo de Yuggoth: Nyarlathotep

Nyarlathotep, o Caos Rastejante, é conhecido como o mensageiro e alma dos Deuses Externos, sendo o único a possuir de fato uma personalidade, e clamando ter centenas de formas diferentes. Ele diverte-se espalhando a demência e insanidade e não apenas meramente a morte. Ele é uma figura sarcástica e visivelmente desdenha de seus próprios mestres.

Ele não é por si um ser, mas uma forma de magicka/tecnologia desenvolvida pelos Deuses Externos para enviar mensagens e disseminar sua palavra. Ele é uma forma de Telepatia Viva e suas inúmeras formas são na verdade o resultado da emanação de milhões de cérebros humanos/inumanos diferentes em exercício.

Todas as evocações/invocações realizadas a Deuses Externos incluem o nome de Nyarlathotep, de forma a reconhecê-lo como ‘Anjo’ de tais Deuses. Ele é reconhecido e temido por todas as criaturas em todos os planos. Habita em um mundo existente sob a estrela verde-negra de Sharnoth, tendo como servidores os shantaks e os horrores caçadores. Ele é idolatrado pelos Mi-Go que se consideram seu povo favorito entre todos.

Ele é a Alma dos Antigos e dos Deuses Externos, estando presente em tudo, do Deus Idiota até o General adormecido, o Rei de Amarelo, o Caminhante dos ventos… todos contém em si Nyarlathotep e ele contém em si todas as bestas titânicas.

Entre suas formas estão: Um homem negro envolto em panos (O ‘Homem Negro’ do Sabbath medieval das bruxas); A Língua Sangrenta, um ser monstruoso com garras e um único tentáculo vermelho no lugar da face; Abu Hol, o Pai do Horror – uma esfinge sem face com corpo de hiena e asas de abutre; a Mulher Inchada, um horror disforme com tentáculos e bocas dotadas de dentes afiados espalhados pelo corpo; Shugoran, o homem negro com um chifre na testa; Lrogg, um morcego de duas cabeças; O Habitante nas Trevas, um ser com um tentáculo cônico no lugar da cabeça e tentáculos simétricos pelo corpo, que terminam em mãos humanóides; Ahtu, um ser semelhante a uma árvore, cujos tentáculos terminam em cristais afiados; O Caçador das Trevas, um ser titânico dotado de asas dotado de três olhos e que não se manifesta na presença de luz, entre muitos outros.

Estas muitas formas representam o Caos, o medo das diversas formas de apocalipses temidos pelos seres que o presenciam. Ele sempre se manifesta aos que o encontram em forma de seus pesadelos ou pontos fracos, bem como da sociedade, culto, indivíduo ou mundo onde ele rasteje no momento.

É dito que Nyarlathotep é o próprio Apocalipse, e que um dia destruirá a humanidade ao conceder-nos um novo tipo de magia científica. As próprias bombas Nucleares são um dom concedido por Nyarlathotep.

QUACHIL UTTAUS

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‘Era a sombra fantasmagórica da decadência, antiguidade e dissolução…’

-The Outsider

Quachil Uttaus, o Caminhante da Poeira, manifesta-se como uma múmia do tamanho de uma criança, com longas garras ósseas. Ele é um Deus Externo composto por uma dobra no espaço tempo, vindo de um futuro distante e decadente. Sua presença é marcada por manifestações distorcidas do tempo. Coisas envelhecem ou rejuvenescem de forma aleatória.

O próprio toque deste Deus causa envelhecimento precoce e os que ele torna imortais recebem uma cicatriz característica de seu toque nas costas, que deforma os ossos da coluna. Ele pertence a facção de Hastur.

SHUB-NIGGURATH

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‘Ia! Shu-Niggurath! O Bode Preto com as Mil Crias!”

-The Whisperer in Darkness

Shub-Nigurath é a Mãe de Todos, o Bode Negro das florestas com as Mil Crias, é uma Deusa Externa de extrema fecundidade, a qual é formada por uma imensa nuvem de corpos humanos, animais, vegetais e de vidas jamais imaginadas pela humanidade, em constante cópula, nascimento e crescimento. Contemplar a forma completa dela causa insanidade automática em seus cultistas e morte em pessoas despreparadas.

Ela é a encarnação da proto-entropia/anti-entropia, a gênese de todas as coisas, cuja Vontade e Consciência permitiram dissociar-se do caldeirão de nitrogênio/Carbono que forma todas as coisas – sendo assim ela contém em si todas as coisas. Ela é uma Deusa que possui origem na Terra em si, tendo assimilado todos seus Deuses Rivais e os Antigos que chegaram antes de Chtulhu. Ela é uma Deusa elemental da Terra e se opõe aos Antigos do Fogo e do Ar.

A Magna Mater, como é conhecida, é esposa de Hastur, adorada na antiguidade sob as formas de Deusas da Fertilidade, e se manifesta a seus cultistas como uma mulher trajando véus. Dizem que o termo ‘Shub-Niggurath’ remete a miscigenação genética entre os Antigos ou em inter-espécies, sendo ela própria fruto de um experimento mágico-genético.

TSATHOGGUA

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‘É de N’kai que vem o amedrontador Tsathoggua – você conhece, a amorfa criatura anfíbia, mencionado nos manuscritos Pnakótickos, e no Necronomicon e no Commoriom, preservados pelo alto-sacerdote atlante Klarkash-Ton.

-The Whisperer in Darkness

Tsathoggua, o Rastejador Branco, veio para a terra vindo de Saturno, após passar eras em Yuggoth e foi idolatrado pelos hiperbóreos e pelo povo do ártico sob a forma de Lomar. Seus cultos prevalecem por ele oferecer o conhecimento sobre Portais, como o que o trouxe de Saturno para N’Kai (na Terra), embora seja perigoso por ele não se importar em matar seus cultistas.

Ele é um Grande Antigo, semelhante ao cruzamento entre uma Preguiça e um Morcego, vindo para a Terra quase ao mesmo tempo que Cthulhu. Ele uma vez habitou perto da estrela Algol, onde agora seu irmão Zvilpoggua habita. Ele é o líder dos Antigos relacionados ao elemento Terra.

Y’GOLONAC

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‘Então, veio um janeiro de neblina e chuva, quando o dinheiro ficou escasso e as drogas eram dificeis de serem compradas.’

-Hypnos

Y’golonac é um Grande Antigo menor, mas muito maligno, mencionado nas Revelações de Glaaki, um livro sagrado escrito por um culto britânico. Ele habita num labirinto subterrâneo feito de tijolos, mas podendo se manifestar quando invocado de forma consciente ou inconsciente. Ele possui o costume de possui seus cultistas e invocadores.

É dito que os possuidos por ele podem assumir formas monstruosas com bocas dotadas de presas nas palmas das mãos. Ele por si, é amorfo.

Ele é um Antigo viciado na miséria humana, especialmente nas frustrações e agressões de cunho sexual. Dizem que pessoas que possuam perversões sexuais e leiam sua ‘escritura sagrada’ se tornam possíveis alvos de possessão. Este Antigo possui a habilidade de reconstruir as formas de suas vítimas passadas e utilizá-las pra se infiltrar na humanidade.

Y’golonac é também uma ‘doença’ que se transmite sexualmente, caso o possuído faça sexo com outra pessoa, compartilhando a energia poluída. Sua poluição faz com que a vítima se torne viciada em degradação e pornografia, sociopatia e estigmas pelo corpo.

Diz-se que ele foi trazido a existência terrena após uma gota da ejaculação de Shub-Niggurath ser tratada geneticamente por membros do culto de Glaaki infiltrados em laboratórios de Medicina.

YIG

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‘Parece que Yig, o Deus Serpente das tribos das planícies centrais – presumivelmente a fonte primordial do culto de Quetzalcoatl ao sul ou Kukulkan – era na verdade um estranho demônio meio antropomórfico’

-A Maldição de Yig

Yig, o Pai das Serpentes é um Grande Antigo adorado pelos maias como Kukulcan, a Serpente Alada, e adorado por todos os Ofiólatras como Deuses-Serpentes. Ele se manifesta como um tapete de cobras interligadas e compartilhando a mesma consciência. Tambores e flautas tocadas corretamente podem interferir em suas manifestações.

Embora tenha se oposto a outros Antigos em tempos remotos, ele não é totalmente hostil a humanidade, sendo mais simples de acessar. É rival de Ghatanothoa.  Ele é associado ao elemento Fogo, e considera todas as cobras suas crianças e qualquer pessoa que mate uma de suas ‘crias’ está condenado a morte por veneno ou a maldição de Yig: Loucura e descendência com deformidades.

Ele é o Deus do povo-serpente de Valusia e manifesta-se como uma cobra humanoide ou um dragão, e cria suas ‘crianças’ a sua imagem e semelhança. Ele veio a Terra na era Permiana, junto com Cthulhu.

YOG-SOTHOTH

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‘Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e o guardião do Portal. Passado, presente e futuro, são apenas um em Yog-Sothoth. Ele sabe onde os Antigos cruzaram no passado e por onde cruzarão novamente no futuro.’

-O Horror de Dunwitch. 

Yog-Sothoth, o ‘Tudo em Um’, habita nas interseções entre os planos que compõe o Universo. Em nosso plano, ele se manifesta como um aglomerado de globos luminosos que estão frequentemente mudando de cor, partindo-se e renovando-se em um extenso raio de distância.

Ele é a chave para o Portal e o próprio Portal, possuindo o poder de teletransportar entre planos a si mesmo ou qualquer viajante para qualquer local do Cosmos. Ele também pode se unir em um globo para mostrar a um de seus cultistas visões de Planos Exteriores.

Yog-Sothoth está aprisionado onde todo tempo-espaço intercedem, mantido nele por indizíveis forças cósmicas que se convergem numa ‘quinta dimensão’.

Ele é adorado pelos Mi-Go como ‘Aquele além’ e como Guardião do Portal, ele permite que seus cultistas tenham visões da face de Azathoth no Centro do Universo. Ele corresponde a Choronzon.

Embora este Deus possa estar no Tempo-Espaço, ele utiliza magistas e cultistas para evocá-lo e prender parte de sua energia ao solo, fazendo com que ele possa transitar entre locais de forma tão rápida que se torna quase onipresente, quebrando quaisquer barreiras que o limitem.

Diversas vezes é evocado por Necromantes para ensinar a manipular energia sobre Morte, Decadência e Renascimento, ou objetivos mais escuros. Ele é a encarnação do ‘Zero’, o ‘Nada’ e o ‘Todo’ ao mesmo tempo. É o elemental do Aether, o quinto elemento, a quintessência. Ele é rival mortal de Nodens, que deseja impor o Nada Absoluto sobre Yog-Sothoth.

Yog-Sothoth é a compensação do giro na Roda da criação, pai de Cthulhu, Hastur, Vulthoom. Ele é idolatrado por muitos povos como o ‘Senhor do Tempo’ e é capaz de eliminar seus inimigos do tempo-espaço, apagando-os da própria história e memória com suas correntes flamejantes. Ele é o próprio Aeon, Yuga, Era, o próprio correr dos Anos.

Sendo Onipotente, ele está em tudo e contém tudo em si, existindo somente onde é despertado e despertando somente onde Existe, ligando e interligando através de sua rede de Nexions os Planos dentro e fora da existência Causal-Acausal e muitas outras inconcebíveis a nossa parca mentalidade.

*******

Aqui encerra-se a Parte I Panteão de Lovecraft, com base no Necronomicon e em outros tomos e contos de Lovecraft. No próximo post, uma pequena continuação com alguns dos seres menores e entidades presentes nessa mitologia bizarra e medonha

Mantenham a Sanidade até lá.

Informações compiladas por Azi Dahaka em 2015;

de diversas fontes impressas, especialmente o livro Trail of Cthulhu que traz informações dos Mitos de Lovecraft adaptadas para um jogo de horror. 

Ba Nam I Ahriman.

 

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4 comentários sobre “Lovecraftianos Parte II.I – Bestiário

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