Lovecraftianos – Parte I: O Criador

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“Olhe para o céu
As estrelas se alinharam
A profecia se cumpriu
Os Antigos acordaram

Eles voltaram
e a humanidade aprenderá
O medo leva à loucura
O fim acabou de começar”

-Nardones; ‘O Chamado’

O Criador:

Howard Philips Lovecraft nasceu dia 20 de Agosto de 1890, em sua casa em Rhode Island, filho de  Sarah Susan Phillips Lovecraft e Winfield Scott Lovecraft. Seu pai faleceu de um choque nervoso em 1898, o que o fez ficar extremamente apegado a sua mãe e suas tias. Ele era tido como uma criança precoce, tendo lido aos sete anos as ‘Mil e uma Noites’, o que o fez virar um aficionado pelo cenário árabe, que futuramente influiria pesadamente em seus contos. Aos oito anos já era fascinado por Edgar Allan Poe, astrologia e leituras científicas. Foi matriculado na ‘Hope Street High School’, mas problemas de ordem psicológica fizeram com que ele deixasse a escola sem um diploma.

Em 1908 seu avô, a figura paternal que substituiu seu pai, falece. Lovecraft então vira um eremita, recluso em sua casa. Passava os dias lendo e estudando, tendo um pouco de contato com seus amigos. Raramente saia de casa, para longas voltas de bicicleta pela cidade, em especial para observar as profundezas marinhas do Rio Barrington. Diz-se que neste tempo ele cogitou o suicídio, desistindo apenas por sua curiosidade e sede de leitura.

Cinco anos depois, ele emerge de seu casulo de uma forma nada comum. Ele enviou uma carta ao periódico ‘The Argosy’ criticando os textos do autor ‘Fred Jackson’, os quais ele considerava romances ‘insípidos’. Os defensores do autor logo se pronunciaram e iniciaram um debate, ao qual Lovecraft respondeu com novas cartas – desta vez em versos. Essa ‘polêmica literária’ chamou atenção de Edward Daas, presidente do ‘UAPA’, um clube de autores amadores, e o mesmo convidou HP a se unir a eles. Começava a saga do autor.

Sem pretensão de tornar-se profissional, publicou treze textos de sua autoria (a maioria mostrando seu lado político conservador) no periódico. Teve dois contos publicados numa revista semi-profissional chamada ‘Home Brew’, e chamou atenção de seu colega (e também autor famoso) Clark Ashton Smith, que o convidou para a revista ‘Weird Tales’. Os contos dele foram prontamente aceitos e bem recebidos e com o tempo ele se tornou autor fixo da revista, sendo convidado inclusive para tornar-se editor. Mas recusou o cargo, pois havia acabado de noivar com a imigrante russa e judia Sonia Greene.

O casal consumou o matrimônio e mudou-se para o Brooklyn. No entanto, diversos problemas financeiros surgiram, atrapalhando o casamento. Lovecraft viu-se obrigado a retornar para sua terra natal em 1926. O casamento não sobreviveu, e em 1929 o casal oficializou o divórcio.

De volta a sua casa, ele teve um surto bizarro de inspiração que em apenas seis meses resultou nas obras primas ‘O Chamado de Cthulhu’, ‘Em busca de Kadath’, ‘O caso de Charles Dexter Ward’ e ‘A Cor que veio do Espaço’. Esses contos o levaram a fundar um ‘novo estilo’ que ele denominou de ‘Ficção Estranha’. Tal ideia foi desenvolvida em uma carta ao editor da ‘Weird Tales magazine’:

“Agora todos os meus contos são baseados na premissa fundamental que as leis humanas comuns e interesses e emoções não possuem validade na vastidão imensa do cosmos… Para se alcançar a essência da real externalidade do tempo ou espaço ou dimensão, deve-se esquecer que tais coisas como vida orgânica, bem e mal, amor e ódio, e todos os atributos locais de uma negligenciável e temporária raça possuem sequer uma existência.”

Isso abriu as portas para um novo tipo de literatura, revolucionária a época. Lovecraft retirou o foco do superestimado ‘ser humano’ e o retratou como um mero grão de areia, perdido no meio de um cosmos vasto, diante de seres alienígenas tão imensos e incompreensíveis que poderiam ser considerados Deuses letais, cuja imensidão disseminava insanidade para aqueles que testemunhassem sua presença. Um novo Horror despertava, unindo a pegada esotérica e ao mesmo tempo a ficção científica.

Surgia então o Necronomicon do árabe louco ‘Abdul Alhazred’, e toda sorte de bestas mortais, livros proibidos e a influência do esoterismo e dos contos árabes da infância. ‘Nas Montanhas da Loucura’ expressa a fusão do esoterismo e da ficção ao revelar que seus ‘Deuses’ eram então nada além de alienígenas viajantes do espaço.

Apesar do sucesso inicial, seus últimos anos de vida foram complicados e não muito felizes. “A Sombra de Innsmouth” e “Nas Montanhas da Loucura” são rejeitados pela revista. Em 1932, suas tias adoecem gravemente e falece. Seus problemas financeiros se agravam. Em 1936, seu amigo Robert E. Howard se suicida, levando Lovecraft a uma forte depressão. Neste mesmo ano, o câncer de intestino que ele havia contraído em 1934 se alastra.

Em 15 de março de 1937, Lovecraft morre de metástase do câncer intestinal. Morre na pobreza, e frustrado por jamais ter publicado um livro profissional. Sua maior felicidade tendo sido a publicação de ‘A Sombra de Innsmouth’ em edição semi-profissional ser lançada, mas esta foi pouco vendida.

Após seu falecimento, dois escritores amadores com quem ele havia se correspondido por carta (August Deleth e Donald Wandrei) se unem a outros amigos e compilam toda sua obra distribuída ao longo de inúmeras edições de periódicos e as publicam em um único livro em 1939, sob a editora ‘Arkham House’ com o título ‘The Outsider and Others’. É a partir deste momento que sua obra começa a ser bem aceita no mercado e vendida. A editora ‘Arkham House’ publicou dezenas de outros títulos dele e os traduziu para várias línguas.

O sucesso post-mortem de Lovecraft foi absurdo. Sua influência saiu da esfera literária e seus tentáculos alcançaram a música, o cinema, RPG´s e jogos, e até mesmo a espiritualidade e o esoterismo.

Muitos boatos passaram a circular sobre Lovecraft. Um deles remete a uma possível ligação com Crowley, mas especialistas sobre a vida do mesmo renegam qualquer encontro entre o escritor e o famigerado mago inglês. Há também pessoas que afirmam que existe uma suposta ‘edição verdadeira’ do Necronomicon exposta em um museu britânico…

…E rumores de que os “Deuses Antigos” sobre os quais ele escreveu não foram coincidências ou invenções – mas resultados de um ‘sussurro’, um certo ‘Chamado’ inspirador entoado pelo próprio Abismo para que ele expressasse em palavras e na ficção um vislumbre destes mesmos Deuses os quais ainda serão despertos para reconquistar seu reino de Caos…

Deuses estes que falaremos na parte II desta série sobre os ‘Lovecraftianos’.

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Azi Dahaka;

2015 Era Vulgaris

Bibliografia: H.P. Lovecraft – The Complete Fiction, ed. Barnes & Noble, NY

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4 comentários sobre “Lovecraftianos – Parte I: O Criador

  1. Rafael

    Os Livros dele parece interessante, mais ando sem grana para comprar livros e sem tempo para ler livros. E eu já tenho mais livros que eu posso ler. eu acho que não passo mais de duas décadas kkkkkk

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