Vampirismo – Ato I: Raízes – O Mito e a Literatura

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 E se eu lhe disser que vampiros NÂO SÂO assim?

 “A constatação não foi muito alvissareira para mim, pois as palavras eram: “Ordog” — satanás; “pokol” — inferno; “stregoica” — feiticeiro e “vrolok” e “vlkoslak”, ambas com a mesma significaçâo, pois uma é eslovaca e outra sérvia: uma espécie de lobisomem ou vampiro”

-Drácula, Bram Stoker. “Diário de Jonathan Harker”, 5 de Maio.

Uma das técnicas ocultistas mais difundidas atualmente, inclusive dentro de ordens, o Vampirismo nada mais é do que o ato de drenar a energia de um alvo. No entanto, essa prática utilizada dentro de ordens e sistemas mágickos foi aprendida por nós através de entidades muito mais antigas do que pensamos.

Mas antes de falarmos das técnicas ocultistas propriamente ditas, acho importante situarmos a origem da “cultura” vampírica e dos mitos acerca do personagem literário, para não nos confundirmos de forma séria e prejudicial nos estudos. É uma delimitação realmente importante, entre a fantasia e a realidade.

Mitologia

É um fato curioso a ser citado que, em todo mundo antigo o temor e a crença em Vampiros era largamente difundida, em todas as culturas, religiões e folclores. Inclusive nas que nunca possuíram contato entre si.

Na Mesopotâmia por exemplo, fala-se dos Ekimmu, espíritos de pessoas não-sepultadas que voltavam para atormentar os vivos. Na antiga Suméria, temos a famosa Lilith, que devorava os bebês e sugava a força vital dos homens solteiros e era afastada por seu irmão, Pazuzu. As crias geradas por ela eram os “Lilins” que devoravam os homens.

erzsebet_bathory_wp_by_mayamayfair-d34b0qbCondessa Elizabeth Bathory. Uma das mais famosas Vampiras que já existiram… 

E por assim vai, são demais pra listar aqui agora, mas da América ao Extremo Oriente, fala-se em cadáveres reanimados, e em bebedores de sangue/comedores de carne/sugadores de energia, que predam os humanos para manter a falsa aparência de vida. Os mitos podem variar em detalhes, mas a essência é sempre mantida a mesma.

A palavra “Vampiro” entrou na língua Inglesa pela primeira vez através da palavra “Vampyre”, em 1732, derivando do termo “Vukodlak” ou “Vrikolaka”, de origem sérvia e que designava “Lobisomem”.

A ocasião de seu uso se deu por conta do incidente de Arnold (Paole) Paul. A situação deu-se quando um cirurgião do governador sérvio assinou um relatório que indicava que um homem (Arnold Paul) relatara ter sido mordido por um homem e faleceu posteriormente. Após sua morte, diversas pessoas relataram ter sido atacadas por ele durante a noite. Ao exumar o corpo, descobriu-se em perfeito estado de conservação e com sangue escorrendo por sua cabeça. Sangue fresco e não coagulado. O incidente foi descrito em um jornal inglês como ataques de um “vampyro” – criatura até então conhecida pelo vocábulo latino “sanguisuga”. A história ficou famosa e se difundiu pela Europa, causando uma certa “febre vampírica”, que revoltou certas pessoas pelos inúmeros casos de “violação de sepultura e vilipêndio/profanação de cadáveres”.

Em 1765, o naturalista francês Lois Lecrerc de Buffon soube de uma espécie de Morcego Hematófaga e ligeiramente lhe deu o nome de “Morcego Vampiro”. Antes desse fato, os morcegos não possuíam ligação com vampiros de forma direta.

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 Lord Byron – Inspiração para o Primeiro Vampiro da Literatura.

Posteriormente, no século 19, um jovem imigrante Italiano na Inglaterra, amigo íntimo de Lord Byron, a pedido do mesmo (era costume de Byron durante as reuniões de seus amigos, pedir que narrassem contos de Horror. Fransktein, escrito pela jovem Mary Shelley surgiu assim), escreveu o conto “The Vampire”; sobre um tal Lorde Ruthven que vagava a noite, seduzia e matava mulheres. A figura do vampiro sedutor, sensual e sexual se formava e invadia a literatura – e também os mitos, constituído a partir da figura do próprio Byron, satirizado na obra por seu amigo.

A mesma figura sedutora serve para a releitura de Bram Stoker do Conde Vladislav Tpish, o famoso “Conde Drácula” em sua obra brilhante, que divulgou o mito do vampiro no mundo inteiro. Anne Rice e seu “Entrevista com o Vampiro” e nos anos 90 o RPG “Vampiro:A Máscara”, bem como os filmes da Hammer Films nos anos 70-80 fizeram a febre de vampiros eclodir, como um personagem característico, misterioso, sedutor e perigoso.

Dessa forma, esse texto mais “histórico” vem elucidar que o conceito de Vampiro como algo “belo” vem da literatura. Vampiros nas mitologias anteriores a elaboração da ficção são bestas sanguinárias e predadores. E entidades Vampíricas são igualmente predadores vorazes. E pessoas que praticam o Vampirismo como técnica ocultista, SÂO Predadores, invariavelmente. Não existe “vampirismo bonito” no ocultismo.

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Vampiros – Predadores “Canibais” que sugam a vida dos humanos

Ps: Bibliografia em grande parte retirada do livro “Enciclopédia dos Vampiros”.

Por agora é só, no próximo texto : Ato II – “Tipos de Vampiros e a Realidade do Vampirismo”.

Ba Nam I Ahereman!

 

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2 comentários sobre “Vampirismo – Ato I: Raízes – O Mito e a Literatura

  1. inominavelser

    O Mito configura sempre uma realidade e traz em si mesmo uma esotérica oculta mensagem. Necessário saber penetrar a fundo nos mitológicos emaranhados diponíveis a todos nós, estudantes.

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