Yazidis lutam contra “Estereótipo de Satanistas” no Iraque

YEZIDI MONK BABA CHAWISH POSES IN FRONT OF ENTRANCE TO THE LALISH TEMPLE.Monge Baba Chawisk posando na frente do Templo Lalish, Norte do Iraque

Dahuk, Iraque – Quando Nietzsche escreveu “Assim falou Zaratustra” em 1885, ele teve que matar Deus para quebrar a dicotomia entre “bem e mal”. No Kurdistão, não houve necessidade disso, praticantes do Yazidismo, a religião monoteísta mais antiga, já sabiam disso.

De acordo com este grupo Kurdo, Lucifer, o anjo mais belo do paraíso, não traiu Deus e criou o mal, mas simplesmente se manifestou no mundo se tornando a ponte entre humanos e o criador. Melek Taus, como os Yazidis o chamam, ainda é adorado no templo de Lalish, local secreto no noroeste do Iraque. Os Yazidis se consideram descendentes de Adão e percebem o bem e o mal como duas faces da mesma realidade. Escolher o correto, depende de cada alma de cada pessoa.

Essa abordagem não causa nada além de dor para os Yazidis, que tem sido submetidos a muitos estereótipos no Iraque, Turquia, Síria e Iran, como sua suposta relutância a educação. Pir Mamo othman, consultor do Concílio Regional Yazidi disse “No passado, não haviam escolas governamentais, apenas religiosas. Por isso muitas famílias Yazidis não levaram as crianças as escolas, educando em casa e temendo pela conversão ao Islam.” Além disso, a representação Yzidi de Melek Taus como um pavão levou Muçulmanos e Cristãos a julgar erroneamente aspectos das crenças Yazidis. O lindo pássaro era considerado uma manifestação dos poderes do Diabo em comunidades antigas, como na antiga fé do Zoroastrismo.
M2S_MelekTaus3Melek Taus, o Anjo Pavão

“Não há maldade no pensamento Yazidi”, Nirgul Acikylidiz Sengul, conferencista de história da arte na Universidade da Turquia e expert em cultura Yazidi. Por 10 anos, ela conduziu uma extensiva pesquisanas tradições Yazidis e em 2010 publicou o livro “Os Yazidis: História da Comunidade, Cultura e Religião”. “Mesmo alguns famosos orientadores e filosofos do passado entenderam mal a fé deles,” diz Birgul. “As pessoas os viram como interessados em culturas Satanistas, sem focar em sua realidade ou crenças.

Na verdade, mesmo sem o “mistério de adoradores do demônio”, a fé permanece fascinante. O Yazidismo é sincretizado com a antiga fé dos Persas e tradições Indianas antigas, bem como Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Eles crêem em reencarnação, junto com Céu e Inferno, diz Mamo. Para evitar acusações de blasfêmia e satanismo, os Yazidis pegaram aspectos do Cristianismo e Islamismo e se esconderam em seu local sagrado em Lalish, cercado pelas montanhas de Arafat, Msgat e Hzrat.
Atualmente, o Templo Lalish – que foi destruído duas vezes, entre os séculos XIII e XV – é uma mistura de construções novas e antigas. Cada cômodo tem diferente significado e função. Em um está a grande tumba do Sheik Adi, um Sufi do vale de Lebanon Bekaa que morreu 900 anos atrás. O Sheik reformou a fé Yazidi e foi considerado por eles como um santo. “Quando ele chegou na região dos Kurdos, ele adotou muitas práticas de nossa religião”, diz Mamo. “Os Yazidis se uniram sob sua bandeira e o coroaram como líder, seguindo as inovações no Yazidismo.”

Uma das mais controversas reformas foi no sistema de castas. Os Yazidis ainda se dividem em três castas: As mais altas sendo os clérigos e líderes espirituais – Sheikhs e Pirs – enquanto o resto pertence a Murid. Filiação a castas é hereditária e não pode ser modificada. Casamentos com não-Yazidis e entre castas, é proibido. “Entretanto, cultura e religião são tratadas de forma diferente”, diz Shivan Darish, um jornalista da revista Lalish. Enquanto algumas regras ainda são cumpridas, gradualmente eles se tornam mais abertos. “O sistema de castas, muito menos restrito que o Indiano, não impede que os Yazid da casta Murid ocupem papéis importantes na política ou na vida pública”, diz Darwish.

Através da história, houveram muitas tentativas de suprimir a fé Yazidi e converter seus seguidores as religiões monoteístas principais. Ainda assim, os Yazidis são pacíficos e não desejam poder ou disseminação de sua fé. Eles somente lutam por um lugar na sociedade e não serem considerados forasteiros. Mesmo agora, em disputa nas áreas de Mosul, Iraque e tendo sua fé ameaçada. Muitos Yazidis migraram para Alemanha e Armênia. A comunidade do Nordeste do Iraque é baseada principalmente nas províncias Sheikhan, Sinjar e Behzane, bem como em vilas localizadas ao redor da cidade de Dahuk.

Com o estabelecimento do Governo Regional Kurdistão em 1993, a comunidade Yazidi estabeleceu mais 20 centros culturais Lalish para promover a coexistência com os Sunitas Kurdos, maioria na região. “Nós queremos manter nossas tradições, não porque queremos provar nossa descendência de Adão, ou outros mitos, queremos proteger nossa riqueza história e nossa herança da sociedade Kurda”, diz Ayad Khanky, historiador na Universidade de Duhok.

Hoje, nós estabelecemos um centro cultural Lalish em Dahuk, com 7.000 membros. Muitos deles Yazidis, mas também Kurdos e estrangeiros com diferentes culturas. De acordo com o centro, eles apoiam o combate a desinformação sobre Yazidismo e destacam o papel desta fé na história e cultura da Humanidade.

Fonte

Este ano, centenas de Yazidis foram expulsos do Iraque em um exôdo forçado. Dezenas de pessoas foram executadas na frente de suas famílias sob a acusação de serem “Adoradores do Demônio”. Os Yezidis são minoria no Iraque e constantemente atacados. Uma manifestação foi feita, reunindo 2.000 Yazidis para atrair a atenção do Governo em relação ao massacre de minorias na região.

E ninguém parece realmente se importar…  por isso, somos contra qualquer forma de intolerância ou desrespeito religioso. Em especial com religiões mais antigas ou mais sábias que as suas.

- PHOTO TAKEN 02AUG04 - A Yezidi sect devotee kisses a monument in the yard of the main Lalish templ..famílias Yazidis em Lalish, a cidade do templo sagrado

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3 comentários sobre “Yazidis lutam contra “Estereótipo de Satanistas” no Iraque

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