Necromancia – Ato III: Zumbis

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Você não leu errado. Sim, esta postagem mostrará a base de “como fazer Zumbis”. Lógico, eu NÃO irei passar a receita exata, até porque nem eu sei detalhadamente como fazer, então qualquer tentativa resultaria em desastre. Mas é bom pra mostrar que é possível.

Zumbis tem sido tema de filmes de horror desde 1970, com o grande mestre do cinema “George Romero”, e até hoje tem espaço nos pesadelos de todos. Eu diria que eles são um clássico. Mas como todo terror ficcional, eles tiveram sua base de verdade.

Os Zumbis nasceram no Haiti, dentro do tradicional Vodu, enquanto religião e posteriormente incorporados no Hodoo de Nova Orleans. Para os Vodunistas, o humano enquanto Ser, divide-se em cinco partes, sendo elas:

Corps Cadavre, o corpo físico;

N’âme, a Energia Vital que permite que o corpo funcione, o mesmo que o “Chi” oriental;

Gros Bom Ange, a porção “divina” do homem, condição de consciência durante a criação;

Ti Bom Ange, a essência individual, construída ao longo da vida e do tempo. É o que torna cada um “diferente”. É também o que “viaja” durante projeções astrais.

iwalkedwithazombie1943cena do filme “I Walked with a Zombie”, que fala sobre o tema e mostra cenas interessantes dentro de Hounfourts

 

Existem dois tipos de Zumbis. Aqueles Astrais, que são poderosos servos espirituais, e os físicos – que são escravos obedientes e sem vontade própria. Tratemos do primeiro caso:

Zumbis no Astral:

São feitos quando um Bokor (sacerdote Vodu) aprisiona o Espírito da Vítima em uma urna (conhecida aqui como “quartinha”) de barro, pedra, mármore ou louça. Esse jarro é devidamente preparado e assim que a vítima morre o sacerdote imediatamente executa um ritual para “pescar” o Ti Bom Ange, a Personalidade da pessoa, prendendo-a na Jarra.

Com sua vontade aprisionada, a Alma da vítima se torna escrava nas mãos do feiticeiro, que pode ordenar a ela que proteja locais, assombre pessoas, ou quaisquer outros fins que ele deseje desde que se saiba como dar a ordem… Se a jarra se quebra, o espírito da pessoa é solto pra seguir seu caminho e o encantamento se perde.

 

Zumbi Físico:

 Ao contrário do que se pensa, um Zumbi não é criado a partir de um cadáver, mas sim de uma pessoa VIVA. O Bokor, ritualisticamente combina ingredientes guardados a 7 chaves em uma pasta úmida, que ao secar se torna um pó fino. Este pó, quando inalado ou ingerido, envenena o paciente e o induz a um estado de catalepsia. . Totalmente paralisado, mas totalmente consciênte dos fatos a seu redor. Durante este estado, é realizado um funeral e um enterro. Após alguns dias (o suficiente para que ele não morra) ele é retirado de sua cova. As áreas do cérebro responsáveis pela Vontade são lesionadas, deixando o alvo como um zumbi. Escravo suscetível a qualquer vontade do Bokor.

Sacerdotes maldosos utilizavam estes métodos para escravizar inimigos, conseguir favores ou até mesmo escravizar sexualmente alguém. Atualmente no Haiti é considerado crime passível de morte por fuzilamento. Fato curioso que o Bokor criador desta técnica tem em sua sepultura dois soldados fortemente armados, preparados caso o mesmo saia da tumba algum dia. Ele é considerado até hoje o maior e um dos mais poderosos Bokors que já pisaram no mundo.

 A receita do preparado de ervas é:

-Veneno extraído de Sapo-Boi;

-Veneno extraído do Baiacu (Facilmente encontrado na costa marinha do Brasil). Seu veneno causa morte por paralisia, mas em quantidades baixas e dosagens específicas induz a paralisia temporária e minimiza os sinais vitais, devido a presença do composto venenoso Tetradroxina

-Veneno extraído de aranhas, causa irritação na pele. A coceira e as feridas levam a tetradroxina para a corrente sanguínea. Também dá ao zumbi a aparência de “necrosado”.

-Composto de “Datura Stramonium”, conhecido aqui no Brasil como “Chá de Trombeta”. Cria uma alucinação poderosa, que acerca da situação se mostra bem conveniente… Deve ser dosada exata para não causar overdose.

Cada Bokor possui a sua receita específica. A quantidade de cada composto deve ser exata. Muita tetradroxina mataria, e pouca não surte efeito. A dosagem equilibrada de cada um causa o efeito perfeito.

Neste ritual, o Bokor “aprisiona” o Ti Bon Ange em uma Alquimia que mistura o ocultismo e o Esotérico com a Ciência dos homens e o uso de Elementos Químicos poderosos. Reforço aqui o aviso de que eu NÂO SEI as medidas exatas e se soubesse não passaria por aí. A forma de se combinar os elementos, os pontos de maturação também me são desconhecidos… se alguém souber, me diga. rs

A receita foi revelada graças ao grande pesquisador Wade Davis, um botânico de Harvard que foi até o Haiti estudar de perto a “mágica zumbi” dos Vodunistas e teve que lidar com o cenário político, místico/religioso e mesmo com a máfia local pra descobrir a receita. Sua sensacional história foi narrada em seu livro “The Serpent and the Rainbow”, que virou filme nas mãos do gênio Wes Craven e saiu aqui no Brasil com o título “A Maldição dos Mortos Vivos”. Filme recomendado, cujo título em inglês é uma referência a um dos casais de Lwas principais nos cultos Vodunistas.

Por agora é informação o suficiente sobre Necromancia, me estiquei até mais do que eu pretendia. Sugestões pra mais temas no blog, entrem em contato. Até o próximo post.

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2 comentários sobre “Necromancia – Ato III: Zumbis

  1. J.C.

    Eu conheço as medidas, mas alguns dos componentes estão faltando – além do fato de que há também uma preparação que “convence” o zumbi de que ele morreu efetivamente. Além disso, a mistura resultante deve ser colocada em um recipiente similar à quartinha, mas mais parecido com uma panela de barro, onde é levada ao fogo por tempo suficiente para que a toxina do baiacu se dissipe de maneira a não paralisar completamente o alvo. Ademais, pode ser necessária a reaplicação do composto no “zumbi” que, dependendo da sua constituição física, pode ser processada pelo organismo do alvo, que tornará a ganhar consciência de que “não está morto”. Esse rito é utilizado ATÉ HOJE como punição para estupros e assassinatos em terras em que o “cacique” é a Lei , o povo os juízes e o bokor o executor. Note-se que nem os bokors mais tradicionais são adeptos da prática – geralmente apenas executam o clamor de seus líderes e povo por justiça – entregando o “zumbi” resultante como escravo da família do ofendido(a). Eles geralmente morrem de fome ou sede, pois o bokor deve mandar que eles consumam alimentos ou água pois, do contrário, não se alimentam e não bebem nada, pois seus corpos estão entorpecidos demais para terem a consciência de suas reais necessidades que não provenham da boca do bokor.

    1. Os alucinógenos envolvidos auxiliam nessa “preparação” pra convencer o paciente da própria morte.
      No Haiti, a prática é considerada crime dentro do Estado, mas se falando em tribos, de fato pode ser usado como punição. Embora eu não usasse o termo “cacique” pra um sacerdote religioso Vodu… o próprio termo “Bokor” foi usado aqui de forma genérica e não pra nenhuma linha específica, mesmo por conter conotações diferentes entre elas…
      De resto, boa complementação, vlw pelo comentário!

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